AMENAZA ROBOTO | DATA CENTERs
Os vizinhos do Google
Como o Uruguai aprovou o maior data center de sua história
O processo ambiental do data center do Google foi aprovado mesmo com geradores que emitem dióxido de nitrogênio 17 vezes acima do limite legal — apesar de existir tecnologia que reduz essas emissões em 90% —, com modelos construídos sobre dados que não alcançam os requisitos mínimos exigidos, com ruído que já supera a norma e sem calcular o pior cenário elétrico da área.

Por: Gabriel Farías e Miguel Ángel Dobrich.
Fotos: Matilde Campodónico. Design: Antar Kuri.
Tradução: Diogo Rodriguez.

14 de maio, 2026

Esta investigação foi produzida no âmbito da AI Accountability Network do Pulitzer Center.
Em Colonia Nicolich, a leste de Canelones, há casas, campos esportivos de escolas e clubes. Entre essas residências e campos, o Google constrói o Projeto Teros: o maior data center do Uruguai. É uma instalação emescala massiva — a maior categoria existente na indústria, a mesma classe de infraestrutura operada por Amazon, Microsoft e Alphabet, a controladora do Google. Foi projetada para crescer por módulos à medida que a demanda aumente. Seu titular legal no Uruguai é Eleanor Applications S.R.L.
Em plena capacidade, consumirá 560 GWh por ano. É o equivalente ao consumo elétrico de cerca de 200 mil lares uruguaios — mais do que qualquer localidade do país, exceto Montevidéu — ou cinco por cento de toda a demanda elétrica nacional. Seu perímetro faz divisa com campos esportivos do Lycée Français, as sedes dos clubes Lawn Tennis e Old Christians, outras indústrias, o bairro Colonia Nicolich de um lado do alambrado e, do outro, o condomínio fechado Las Higueritas.
Foto do perímetro do Projeto Teros.
A Amenaza Roboto revisou o processo completo: o estudo de impacto ambiental, os anexos técnicos, quatro rodadas de solicitações do Ministério do Meio Ambiente e as respostas que Eleanor Applications forneceu com dados e análises das consultorias que contratou. Com base nisso, foi concedida a Autorização Ambiental Prévia que habilitou a construção.

O que se segue é a reconstrução do que o processo diz, do que não diz e do que foi adiado para o dia em que o data center já estiver em funcionamento.
Quando a luz vai embora
Um data center não se apaga. Seus servidores processam informação de forma contínua, e cada segundo sem energia pode significar perda de dados e queda de serviços. Se a rede elétrica falha, geradores a diesel são acionados para manter os servidores funcionando. No Teros, são 27. Cada um mede mais de oito metros de comprimento e três de altura, e pesa 35 toneladas, segundo a ficha técnica oficial.

Entre os contaminantes que esses motores lançam no ar, destaca-se o dióxido de nitrogênio (NO₂), um gás irritante, o mesmo que se respira atrás do escapamento de um caminhão velho. É o único contaminante modelado no processo que supera os limites legais uruguaios durante um apagão. Para os demais (partículas, dióxido de enxofre, monóxido de carbono), as simulações de emergência apresentam valores dentro da norma.

O Estudo de Impacto Ambiental elaborado pela consultora EIA Estudio Ingeniería Ambiental inclui uma modelagem de dispersão executada pela Trinity Consultants, que simulou o que aconteceria se os 27 geradores arrancassem ao mesmo tempo por um corte de luz. A concentração de dióxido de nitrogênio poderia alcançar 3.439 microgramas por metro cúbico.
A concentração de dióxido de nitrogênio poderia superar 17 vezes o limite legal e 13 vezes a tolerância máxima.
No Uruguai, o limite legal é 200.

A tolerância máxima é 260.

O pico modelado está 17 vezes acima do limite e 13 vezes acima da tolerância.

O risco não se limita às emergências. Em operação normal, os geradores são ligados uma vez por mês para manutenção preventiva, um de cada vez, durante 30 ou 45 minutos, dependendo da potência do gerador.

Durante esses testes, a modelagem apresenta uma concentração máxima de 210 microgramas por metro cúbico, acima do limite legal de 200.

A norma permite até 18 horas por ano com valores entre 200 e 260, e o estudo conclui que esse critério é cumprido. Mas a margem é mínima: o limite legal é superado durante o funcionamento previsto do projeto. Com apenas um gerador em teste.

Quando o NO₂ cruza o alambrado

A poucos metros do terreno, o ar não obedece à linha do alambrado.

A consultora EIA definiu as probabilidades de ocorrência dessas superações de limites no dióxido de nitrogênio. Estabeleceu zonas para medir o risco fora do terreno em três direções. A oeste, residências de Colonia Nicolich. A leste, o condomínio jardim Las Higueritas. Ao sul, a casa que o processo designará mais adiante como a do "vizinho mais vulnerável".

O relatório técnico não menciona os bairros pelo nome. Usa coordenadas geográficas, distâncias em metros e mapas.

No ponto de maior exposição fora do data center, o limite de 200 microgramas seria superado em uma de cada cinco emergências.

A tolerância de 260 mcg — em uma de cada seis.

O estudo também avaliou um limiar mais severo: 940 microgramas (conhecido como AEGL 1), valor que o processo associa a sintomas concretos: cefaleia, ardência nos olhos, dificuldade respiratória em asmáticos sob esforço físico.

Esse limiar seria superado com uma probabilidade de um em cada 40 cortes de luz, segundo consta no resumo do Relatório Ambiental.

A empresa propôs ativar o protocolo para reduzir as emissões quando esse nível fosse atingido. O Ministério rejeitou esse critério. Exigiu agir antes: a partir de 260, o valor de tolerância legal. Ao ser concedida a autorização, o plano de emergência continha apenas diretrizes gerais. Os detalhes ficaram adiados para a fase de operação.
65 horas sem luz
Os registros da UTE documentam 21 cortes na linha que abastece a área entre 2001 e 2017. Um deles, ocorrido após o ciclone extratropical que atingiu Montevidéu e o sul do país em 2005, durou 65 horas e 17 minutos. Quase três dias inteiros.

O estudo ambiental descartou esse corte da modelagem. A consultora Estudio Ingeniería Ambiental argumentou que provinha de "uma distribuição de probabilidades diferente da das interrupções habituais" e que, por ser um caso único, não era possível modelar sua probabilidade.

O Ministério questionou a exclusão. Pediu "rever a não inclusão desse evento", pois a análise deveria considerar "qualquer evento contingente e não apenas aqueles que sejam representativos do comportamento habitual das interrupções do serviço".

A consultora simulou cortes com uma metodologia de sete a onze horas e assumiu como hipótese conservadora uma interrupção anual de 24 horas. Nenhum cenário modelou as 65 horas reais do ciclone de 2005. A empresa manteve a exclusão ao longo de todo o processo.

O impacto dos 27 geradores a diesel funcionando durante dias — como ocorreu em 2005 — nunca foi calculado. Ficou encoberto por um Plano de Ação de Emergência que, ao ser concedida a autorização, não estava concluído.
A alternativa que não foi escolhida
Os geradores do Projeto Teros têm certificação Tier 2, um padrão da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos que data de 2006. Desde 2015 existe um padrão mais rigoroso, o Tier 4, que reduz as emissões de óxidos de nitrogênio em 90 por cento.

Com geradores Tier 4, o problema que domina todo o processo desapareceria.

O próprio processo explica por que não foram escolhidos. A Trinity Consultants, firma contratada para a modelagem, apresentou três argumentos:

  • O econômico. 16,3 milhões de dólares adicionais, com um custo por tonelada reduzida que triplicava o limiar de referência.
  • O técnico. Obstáculos específicos do uso em emergência, como o aquecimento do catalisador e o risco de desligamento automático.
  • O ambiental. "As emissões do pior caso calculadas para o projeto ainda cumprem os requisitos regulatórios e não denotam impacto ambiental significativo."

Uma alternativa intermediária (a redução catalítica seletiva sobre os Tier 2) foi descartada também pelo seu custo ainda maior: 26 milhões de dólares.

Na análise da Trinity, o argumento econômico foi o decisivo. O técnico e o ambiental, por si sós, não descartaram o Tier 4: o primeiro aponta limitações operacionais, não um impedimento; o segundo diz que "não é necessário". Sem os 16,3 milhões adicionais, o Tier 4 seria uma opção razoável.

O problema é que esses 16,3 milhões de dólares — e o "não há impacto ambiental significativo" que os acompanha — se baseiam em um motor que nunca foi instalado.
Uma substituição sem recálculo
Esta análise da Melhor Tecnologia de Controle Disponível dos geradores foi assinada em 2021 para motores MTU. Em 2024, Eleanor mudou de fornecedor. Passou para os Kohler KD3500 por problemas na cadeia de suprimentos. Continuam sendo Tier 2, mas são outro motor.

Com os novos motores, a Trinity refez os cálculos de modelagem de dispersão de contaminantes no ar. Apareceu o pico de 3.439 microgramas de dióxido de nitrogênio, 17 vezes o limite mencionado no início desta reportagem.

Mas a frase sobre a ausência de impacto ambiental significativo permaneceu intacta no processo. Foi escrita pensando em motores que nunca foram instalados, e os resultados da qualidade do ar sobre os motores que foram de fato instalados a contradizem.

Com o argumento econômico aconteceu algo pior: as contas sequer foram refeitass. Os 16,3 milhões que descartaram o Tier 4 foram calculados sobre preços do MTU de 2021. Não foram refeitos para o Kohler. A decisão de permanecer no Tier 2 se apoia em contas que não foram checadas ou que não fizeram parte do processo.

As fichas técnicas dos Kohler — documentação do fabricante que respalda as análises da Trinity — também não foram apresentadas durante o trâmite. O relatório técnico do Ministério registra por escrito: "não foram fornecidas as fichas técnicas que respaldam a caracterização das emissões que os geradores terão quando operarem a carga completa ou a 75% de sua carga."

A verificação foi adiada até a entrada em operação do sistema.
Medir o ar com dados emprestados
Um problema de fundo paira sobre todo o processo. Para avaliar o ar de uma zona, é preciso primeiro medi-lo. A Direção Nacional de Qualidade e Avaliação Ambiental (DINACEA) exigiu três anos completos de dados com uma integridade mínima de 75 por cento. Sem isso, não há linha de base.

Para esta zona de Canelones, a própria Trinity Consultants reconheceu no processo que "nenhuma das estações tem pelo menos três anos completos de dados com uma integridade de 75% para NO₂, PM2,5 ou PM10", o limiar mínimo que ela mesma havia fixado como critério de validade.

A consultora buscou na estação de monitoramento mais próxima: Barradas, em Montevidéu. A 7,7 quilômetros do terreno.

Barradas não bastou. A integridade dos dados de dióxido de nitrogênio oscilou entre zero e 17 por cento nos anos disponíveis. Só pôde ser usada para dióxido de enxofre em um ano.

Diante da insuficiência, a Trinity Consultants se alimentou de dados de estações mais distantes em Montevidéu: Tres Cruces, Ciudad Vieja e Curva de Maroñas. O próprio estudo reconhece que "embora possam representar tendências regionais, os impactos locais que medem não são tão representativos das tendências locais no local do projeto".
O Ministério aprovou o projeto com dados que não cumprem os padrões que ele mesmo e a consultora definiram como necessários.
Nenhuma das quatro estações analisadas cumpre o critério de três anos completos de dados para NO₂ ou PM10; esse critério é alcançado apenas para PM2,5, graças à estação Ciudad Vieja. Para o monóxido de carbono, o próprio estudo aponta que nenhuma das estações consideradas o mede. Os modelos foram rodados sem esse valor.

Os reguladores aprovaram o projeto com dados que não cumprem o padrão mínimo estabelecido pela própria consultora e pelo ministério.
Um zumbido que não se apaga
Além da contaminação do ar e de seus efeitos sobre a população local, o processo documenta outro problema da operação normal: o ruído.

O estudo acústico foi realizado pela CSI Ingenieros. Avaliou o ruído de baixa frequência dos equipamentos de refrigeração à noite. São sons graves — vibrações nas faixas de 63 e 125 Hz — que penetram paredes e não se atenuam com uma janela fechada. A literatura científica os vincula a alterações crônicas do sono, que aumentam o risco de hipertensão, diabetes, doenças autoimunes e eventos neurológicos.

A análise de baixa frequência avaliou cinco residências críticas entre 180 e 280 metros dos equipamentos de refrigeração. Duas a oeste, na rua Fernando Otorgués (lado de Colonia Nicolich), duas sobre o limite leste do terreno (lado de Las Higueritas) e uma ao sul, a casa que o próprio processo descreve como "o vizinho mais vulnerável" do data center.
Em tons de azul, moradias de Colonia Nicolich (à esquerda) e Las Higueritas (à direita). Em vermelho, o terreno do “vizinho mais vulnerável”.
Em uma emergência, o cenário piora. Com os 27 geradores ligados, o ruído noturno no ponto com maior aumento subiria oito decibéis: seis vezes a energia acústica.

O vizinho que o próprio processo designa como "o mais vulnerável", a 280 metros ao sul, receberia 72 decibéis durante uma emergência noturna, 12 decibéis acima do máximo permitido.

O Ministério questionou o fato de não terem sido propostas medidas mitigadoras. Como condição, exigiu um monitoramento "exaustivo e representativo" durante o primeiro mês de operação de cada módulo, cumprimento no interior das residências e um protocolo de atuação diante de denúncias.

Ao mesmo tempo, o próprio Relatório Técnico do Ministério isentou a empresa de medir o ruído durante um apagão. Justificou isso afirmando que uma emergência é um "evento contingente com probabilidade de ocorrência suficientemente baixa". A premissa — baixa probabilidade — foi fornecida pela empresa.

A operação normal tem com monitoramento a cada 45 dias. Nos cenários de emergência, que projeta 72 decibéis para o vizinho mais vulnerável, fica sem medição prevista. Os registros da UTE documentam 21 cortes entre 2001 e 2017, um deles de 65 horas.

O problema foi transferido para a fase de operação.
O que o regulador pôde (e o que não pôde) fazer
O processo revela um sistema regulatório que funcionou até onde pôde, com assimetrias estruturais.

Do lado da empresa: consultorias internacionais, relatórios técnicos de centenas de páginas, equipes jurídicas, tempo. Do lado do regulador: uma equipe técnica com prazos limitados. O trâmite formal, desde a entrada do estudo em 26 de outubro de 2023 até o Relatório Técnico de 30 de abril de 2024, que recomendou conceder a autorização, durou seis meses. A resolução foi assinada um mês depois.

Nesse contexto, o Ministério do Meio Ambiente obteve correções reais. Rejeitou o limiar de emergência proposto pela empresa. Questionou as medições de ruído. Mas cedeu nos pontos centrais.

Aprovou com uma linha de base que a própria consultora reconheceu como insuficiente. Sem fichas técnicas dos geradores efetivamente instalados. Sem justificar a escolha do Tier 2 frente ao Tier 4, e com condições substantivas adiadas para as fases de construção e operação (fichas técnicas dos geradores, plano de emergência detalhado, plano de gestão ambiental de operação e monitoramento de ruído).

Além disso, a resolução não incorpora consequências em caso de descumprimento.

Apoia-se em uma fórmula reveladora pelo que não diz: "não é esperável que a implementação deste projeto ocasione impactos negativos residuais inadmissíveis." A dupla negação não afirma a ausência de impactos. Afirma a expectativa de que, se houver impactos, não sejam inadmissíveis.

A matriz do estudo resume essa lógica: dos 47 impactos identificados, 39 foram classificados como "significância baixa" e apenas dois como "alta".

A água subterrânea não figura como fator ambiental avaliado. Em Ciudad de la Costa e sua área metropolitana, isso é notável: o lençol freático está a 2,5 metros do local. E nesse mesmo local será armazenado combustível para 27 geradores, sobre um solo que o próprio estudo classifica com "potencial expansivo alto" e "fortes processos de contração-retração".

A empresa também não estimou a pegada de carbono de um projeto que consumirá até 560 GWh por ano (5% da demanda elétrica nacional) em troca de cerca de 50 empregos permanentes. O cálculo acabou sendo feito pelo ministério, fora do estudo de impacto, e a pedido dos cidadãos durante a consulta pública do projeto. Com o consumo inicial acordado com a UTE (420 GWh/ano), cerca de 25.000 toneladas de CO₂ equivalente por ano. A projeção para a capacidade plena não figura em nenhum documento do processo.
O data center é construído primeiro; as condições para operar e a mitigação de danos são negociados depois.
A Autorização Ambiental Prévia se apoia, portanto, em dados que não alcançam o mínimo exigível e em geradores cuja tecnologia de emissões data de 2006, apesar de existir uma alternativa que as reduz em 90 por cento. O que não se resolveu no processo para permitir a construção foi transferido para a operação.

O data center já está quase concluído. Não se sabe se as perguntas que o processo deixou em aberto terão resposta. O que se sabe é que, se tiverem, será com o data center em funcionamento.

O calor que ninguém modelou

Nenhuma avaliação do processo modela o efeito de ilha de calor. Os data centers convertem praticamente toda a sua eletricidade em calor: funcionam como aquecedores ao ar livre 24 horas por dia. Em zonas urbanizadas, residências, pavimento e edificações absorvem e retêm esse calor.

Até 2026, ninguém havia medido esse efeito no Uruguai. Nem em nenhum outro lugar do mundo com essa metodologia. A Amenaza Roboto o demonstrou pela primeira vez em O calor por trás da nuvem, a partir de 25 anos de imagens de satélite. O data center da Antel em Pando — de 12 megawatts — eleva a temperatura de seu entorno em 2 °C em relação ao período anterior à sua existência. Descontados o aquecimento geral e a transformação do terreno, 17 por cento do efeito se explica unicamente pelos servidores ligados e seu sistema de refrigeração.

Um sinal térmico operacional, detectável por um satélite a 700 quilômetros de altitude.

Essa evidência fica agora à disposição para futuras avaliações.

Como esta análise foi realizada

Os achados se baseiam na revisão do processo completo: o estudo de impacto ambiental, os anexos técnicos, as quatro rodadas de solicitações do Ministério, as respostas de Eleanor Applications e a resolução que concedeu a Autorização Ambiental Prévia.

Análise assistida por IA. A Amenaza Roboto criou um assistente de IA configurado como analista de impacto ambiental. Não produziu interpretações: funcionou como um auditor documental que organiza, cruza e rastreia informações no corpus.

A análise foi organizada por camadas temáticas — água, energia, emissões, ruído, riscos climáticos, impactos sociais — e reconstruiu a negociação regulatória: o que o Ministério pediu, o que a empresa respondeu e o que foi flexibilizado.

Cada ponto crítico foi verificado nos documentos originais. Das 64 afirmações verificadas, 62 estavam precisas. As duas restantes continham imprecisões menores que foram corrigidas. O nível de precisão foi da ordem de 97 por cento.

Processos como este somam centenas de páginas de documentação técnica: modelos de dispersão, análises espectrais, séries estatísticas, intercâmbios jurídicos. Sua complexidade os tornava praticamente inacessíveis para o jornalismo e difíceis de processar até mesmo para as autoridades ambientais, que devem avaliá-los com recursos limitados. A IA não substitui o critério jornalístico nem o julgamento regulatório, mas permite ler tudo e perguntar sistematicamente: o que o processo diz, o que não diz, onde se contradiz.
Amenaza Roboto